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Dr. Mário Perrone
A arte de não fumar.
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Rondonópolis

A arte de não fumar

 

Deixar de fumar, como tudo na vida,

é apenas uma troca.

Barganha tão dolorida quanto vantajosa.

Prazer idiota e efêmero, mas tão enterrado,

tão faz- parte-da- vida, tão inadequado,

tão ilusão, tão fumaça.

Prazer imposto pela turminha, pelo cow-boy.

Pelo gângster Bogart (que Deus o tenha).

No começo era apenas  farra de menino.

Agora é preciso deixar,

como se deixa uma amante indesejável.

Difícil, não impossível, sobretudo necessário.

Urgente abandonar. Pulmões pretos há muitos anos.

Unhas, dentes e bigodes amarelos denunciam tudo,

desde o primeiro e escondido cigarrinho,

o prazer do proibido,

até as grandes noites boêmias. Espantosas madrugadas.

Muita fumaça entrou onde não devia entrar.

O hálito, a tossinha, o pigarrinho.

Ainda há tempo para a substituição.

Eis o quarentão que se orgulhava das tragadas.

Eis o quarentão que volta a fumar escondido,

agora envergonhado.

Já não gostam dos fumantes.

Eis o quarentão no cardiologista.

Enfisema. Hipertensão.

E isto tudo não é nada.

Eis a ponte de safena.

Desta vez escapou da última e inevitável viagem.

Não falem da impotência (epa!)

Este argumento é covarde. Nunca tinha acontecido.

Agora sim, o cigarro é apenas uma lembrança.

Foi gostoso, fez parte da vida,

Foi companheiro, é verdade.

Desculpe, meu cigarrinho, mas  o tempo é de troca.

Trocar morte pela vida!