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Dr. Mário Perrone
O conto do vigário.
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Rondonópolis

         O Conto do Cartão.

         Cansado de uma longa viagem, o simplório interiorano (para não dizer caipira) chega à cidade e é logo abordado pelo malandro. Um bilhete premiado, uma jóia de alto valor por um preço de banana ou até um prédio de apartamentos lhe são oferecidos. É o famoso conto do vigário, golpe que prolifera nas imediações das Rodoviárias dos grandes centros

         Não muito diferente disto é o que recebemos diariamente em nossa residência:o golpe do cartão, que é praticado por empresas financeiras conceituadíssimas no mercado nacional e internacional.

         Numa bela manhã ensolarada, o cidadão recebe pelo SEDEX uma linda encomenda: um cartão de crédito que ele não pediu.   Vem acompanhado de um fascinante folheto colorido mostrando que a partir de agora este cidadão pode realizar todos os seus sonhos, fazer viagens, comprar equipamentos de última geração, etc... E, tome elogios e mais elogios. Agora ele é conhecido como cliente especial, VIP, preferencial, etc...  Vantagens, vantagens,  vantagens. Nenhuma obrigação.

          - Como são bonzinhos os diretores desta empresa!, surpreende-se o cidadão. Como são atenciosos! O próprio diretor assinou a carta! E o que deverei fazer para ter este paraíso ao meu alcance?

             -Absolutamente nada! Apenas aceitar nosso fantástico cartão e daruma assinaturinha de nada, mera formalidade.

             E o  cidadão se entusiasma, usa  e abusa do  cartão. E quando menos espera,  lá vem o lado amargo da história. Juros, taxa de uso, taxa de não uso, mensalidades, anuidades, ISOF, CPMF e outras invenções do sistema financeiro para arrancar mais uns trocados do já sofrido e ingênuo consumista brasileiro! Mas como resistir, se nas fabulosas propostas que me fizeram  eu não fui avisado que os juros seriam tão altos? AH, fui sim! Mas estava escrito com letras tão miúdas que eram  quase impossíveis de ler!

         É evidente, que nem todos caem nesta lamentável armadilha do     honesto sistema financeiro do país, mas, justamente sabendo que, por preguiça ou por costume, grande parte do povo não lê direito contratos, estas empresas aproveitam e lançam mão desta  manobra conhecida como , veja que nome chique, estratégia de marketing( entenda-se sacanagem).

         A diferença desta estratégia de marketing para o conto do vigário é que este é mais pitoresco , original, e imaginativo do que aquela. Mas, roubo por roubo, são os dois   iguais. Enquanto houver otário sempre haverá malandro!

 

                                         Dr. Mário Luiz  T. Perrone